Após mais de 100 horas de sequestro em Santo André, o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar invadiu em 18 de outubro de 2008 o apartamento onde Lindemberg Alves, de 22 anos, mantinha a ex-namorada e a amiga dela, ambas de 15 anos, reféns.
Antes disso, a PM já havia permitido que a estudante Nayara Rodrigues da Silva voltasse ao local.
Para o promotor de justiça militar Waldevino Oliveira, o Gate não errou ao invadir o apartamento. Segundo ele, no entanto, o fato de Nayara ter sido liberada e depois voltado ao local é controverso.
"Pode ter havido um equívoco", diz. Ele afirma que não há um prazo para o inquérito ser concluído.
O conjunto habitacional na periferia do ABC ainda enfrenta traumas da noite de 18 de outubro de 2008, quando a adolescente morreu atingida por dois tiros.
No muro de um prédio próximo e nas portas de garagens improvisadas em frente ao prédio 24, ainda é possível ler mensagens de apoio a Eloá, escritas com tinta spray: "Eloá, Deus está com você".
Sobrevivente do sequestro por duas vezes, a estudante Nayara busca retomar a própria rotina.
"Ela tenta levar a vida dela, mas não é uma coisa fácil. Ela ainda é uma criança", disse a avó de Nayara, Neusa Rodrigues da Silva. "Isso tudo deixa ela nervosa", afirmou. Agora com 16 anos, Nayara mudou de escola, mas é reconhecida por onde vai. "Ela está estudando, levando a vida de qualquer adolescente, mas todo mundo a questiona sempre", disse o advogado de Nayara, Marcelo Augusto de Oliveira. "Estamos bem, mas ela não toca no assunto", disse o pai da menina, o autônomo Luciano Vieira.Preso em flagrante e denunciado por sequestro, cárcere privado, tentativa de homicídio, homicídio e posse ilegal de arma, Lindemberg aguarda julgamento na Penitenciária 2 de Tremembé, no interior de São Paulo. "Está um pouco devagar [o início do julgamento]", reclamou o pai de Nayara.
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